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Calígrafo há 25 anos, atuante nas praças de Goiânia, Vitória, Curitiba e Europa, sendo filiado a L´Associatión Calligraphes de Paris. Graduando em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná. Formado em Gastronomia pelo SENAC-PR, com experiência no circo de Soleil (Quidan, Curitiba, 2010. Habilitado STCW (certificado internacional para serviços marítimos). Convocado para atuar no Costa Crocieri, navio de cruzeiro, para atuar no mediterrâneo, sob bandeira italiana, como Segundo Cozinheiro. Experiência ampla como vendedor e Gerente de Vendas em empresas multinacionais (Kodak, Fuji, Sharp do Brasil).

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

CULINÁRIA AFROBRASILEIRA

A considerar a extensão e diversidade do continente africano pode-se afirmar que se em algum tempo houve uma cozinha típica africana sua memória histórica se perdeu. Muitas vezes o que diferencia a prática alimentar africana são os combustíveis e utensílios utilizados para o preparo e o serviço culinário.

Assim como sua diversidade geográfica e cultural contempla desde o mais árido deserto às florestas subtropicais, passando pelos longos vales até as mais elevadas cadeias montanhosas, sua culinária reflete diversidades ao incorporar a sua cozinha nativa hábitos, técnicas e frutos da gastronomia de origem colonial portuguesa, britânica e holandesa, prestigiando ainda a culinária asiática. Em suma, assim como em outras áreas geográficas do planeta, a culinária africana recebeu influências tanto de outras técnicas quanto de outros ingredientes.

Habitualmente, em termos gastronômicos, ocorre no continente africano uma combinação os frutos e vegetais tradicionais com a caça e pesca exóticas. Cotidianamente utilizam arroz e batata abundantemente adaptados ao solo e clima de quase toda a África. Desse modo pode-se afirmar que uma alimentação tipicamente africana compõe-se de arroz, massa de vegetais e salada, com o acompanhamento de peixe ou carne grelhada.

Especialistas afirmam que com certeza os bolbos e tubérculos estão para a culinária nativa como o arroz está para a Ásia. Assim, comumente o inhame e a mandioca se fazem presente em quase todas as receitas, acompanhados de cozidos que podem conter carnes ou vegetais. De igual modo os frutos secos como amendoins , castanhas, nozes são encontrados em uma extensa variedade, assim como a melancia.

Especialmente a África do Sul, em função da influência colonizadora de povos europeus, associa aos pratos nativos algumas inovações como os grelhados mistos, e a vinicultura francesa. De igual modo, no momento em que os colonizadores portugueses levaram para Angola e Moçambique os citrinos, as pimentas, as malaguetas, o tomate, os ananases, bananas e o porco doméstico, etc. contribuíram para a modificação da simples culinária nativa somando novos temperos , aromas e sabores. Por outro lado, os indianos introduziram os curries, os dals e as sopas de lentilhas. Essa troca cultural modificou sabores, aperfeiçoou técnicas e introduziu novos hábitos alimentares. Entretanto, a gastronomia tipicamente africana guarda suas especificidades conforme cada região.

Em geral o Norte da África recebeu em sua culinária forte influência mediterrânica. A despeito das influências recebidas pode-se destacar como parte do acervo culinário africano alguns dos afamados pratos originários do Egito e Marrocos, como por exemplo o macarrão bechamel , que é uma espécie de “torta” de macarrão, o foul (patê de fava), o calulu de peixe, o tarco, a pomba recheada, mussaká (uma espécie de lasanha de berinjela), méchoui de cordeiro e a molouhia , que é uma sopa de verduras , especial do Oriente Médio. Na realidade, do Marrocos ao Egipto a culinária africana é predominantemente influenciada pela religião muçulmana, com todas as restrições impostas pelo Al-Corão[1].
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[1] ALCORÃO – Alcorão ou Corão - verbo árabe قُرْآن, al-qurān que significa “declamar”, "recitar" é o livro sagrado do islamismo. Para os muçulmanos é a palavra de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) e não deve ser vendido, e sim doado.

Como na região subsaariana o trigo não é comum, usa-se outros vegetais farináceos em sua culinária, fazendo destes sua base alimentar. Comumente utilizam uma massa cozida (uma espécie de pão) que acompanha guisados e grelhados . Nas regiões costeiras é comum a moagem do milho, tanto de forma tradicional em pilões quanto por mecanismos mais modernos. Também há muita variedade de feijão cuja base proteica é comumente utilizada na dieta de famílias de pescadores.

Enquanto o milho é a base principal da alimentação na África Oriental e Austral, o sorgo o substitui nas regiões distantes da costa. Desse modo, na África ocidental tubérculos e inhame e outras plantas típicas são básicos para fazer o fufu[2].
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[2] FUFU - comida de origem africana, feito com amendoim, azeite, inhame, matabala, mandioca ou banana-da-terra.

Na Nigéria e Costa Oeste africana é comum o uso de malaguetas com peixes marinados em gengibre, tomate e pimenta de caiena, cozidos em óleo de amendoim. No Senegal utiliza-se muito a lima com ingredientes como o alho, chalotas e marinadas. Também são habituais o óleo de côco e de amendoim, além de frutos tropicais. Nas regiões mais secas a mandioca é uma das principais fontes energéticas.

Entretanto, a carne crua é uma espécie de prato nobre na Etiópia, comumente servido em casamentos, sendo também muito usual uma variante de bife com molho tártaro, onde se usa o Berbere. Alimentos mais populares são a Injera[3] e o Doro Wat, que é um prato de galinha cozida com cebola, tomate e ovos cozidos.

A base proteica da alimentação em geral é de origem vegetal, porém, em Moçambique o “caril” [4] é acompanhamento usual.

Nas regiões de savana o leite e derivados são fundamentais na base alimentar, sendo corrente o uso de soro de leite e coalhada. De igual modo os cozidos de legumes verdes e grãos como ervilhas, feijões e cereais. Tubérculos como inhame, mandioca e batata doce também são ingredientes fundamentais na culinária básica, bem como as sementes de Baobab e ovos.
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[3] INJERA – massa de pão redondo, em grandes dimensões
[4] CARIL - espécie de guisado de vegetais, geralmente reforçado com uma porção mínima de peixe ou carne seca. Muitas vezes a base do caril é o amendoim pilado.

Símbolo do Senegal, o baobabe[5] atua como uma grande reserva de aguá, além de base alimentar e confecção de utilidades. É conhecida como imbondeiro e seu fruto carnudo é denominado como “pão de macaco” e é incluído, junto com suas folhas, na dieta básica da população rural.
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[5] BAOBAB - Adansonia Digitata, árvore que vive cerca de 2000 anos (em termos de longevidade só perde para a sequóia norte-americana e para o cedro japonês. Podem atingir um bojo de até dez metros de diâmetro. O tronco tem formato grosso e oco, com ramos parecidos com raízes. Daí sai a lenda do qual os deuses a enterraram de ponta cabeça.
Na zona rural as crianças comem frutas entre as refeições, desse modo, a divisão do caril tradicionalmente é feita de acordo com a divisão natural do trabalho, cabendo o maior bocado ao chefe da família e aos demais o “resto”. Um fato interessante é que os criadores de animais domésticos não tem o hábito de incluir carne com frequência em sua dieta alimentar. Desse modo um simples prato de carne de galinha é reservado para alimentação dominical ou solenidades e comemorações.
Entretanto, tribos como a dos Masai, consideram o gado como sinal de riqueza e instrumento de troca porém, ao inclui-lo na culinária não utiliza a sua carne, mas somente o seu sangue e o leite cuja importância e apreciação são extremas.

Frutos da Terra e Especiarias Africanas
A exemplo da incorporação do azeite de dendê à sua culinária os africanos souberam aproveitar o convívio e influência de outros povos. Um exemplo é o cultivo do cravo da Índia (aparentemente originário da Indonésia), proveniente da ilha de Zanzibar, na Tanzania, chegou a ser seu maior produtor mundial. Desse caldeirão cultural alimentar a África soube valorizar a feijoada à moda do Ibo. Também incorporou à sua culinária a amarula[6].
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[6] AMARULA - Tipo de noz, fruto de uma árvore mediana comum em savanas e encontrada na África do Sul e da região da África oriental. Caracteriza-se por um tronco único cinzento e copa de folhas verdes, podendo atingir 18 metros de altura em baixas altitudes e pradarias abertas, típicas da savana. O licor de amarula produzido a partir da fruta é uma bebida africana exportada e comercializada em várias partes do mundo.
Os pratos nativos típicos da África só mantêm a própria tradição em regiões mais remotas. Na Região Leste por exemplo, que inclui o Quénia e Uganda, a influência europeia é bem menor. Ali a prática da gastronomia privilegia- o uso dos bolbos , tubérculos e sorgo. Desse modo, enquanto os longos safaris quenianos privilegiam os pratos nativos, os restaurantes de Joanesburgo primam por refeições de influência francesa e britânica, o Doro Wat [7]Etíope, os cozidos de côco e peixe de Nairobi , sem abrir mão dos temperos portugueses , a exemplo da prática culinária de Moçambique (onde o cajú, o piripiri e pratos com malagueta são comuns) e Angola, as influências portuguesas foram muito fortes e duradouras. Seu legado vai desde o uso de variadas especiarias até técnicas de assados, cozidos e marinadas.
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[7] DORO WAT - galinha cozida com cebola, tomate e ovos cozidos.

BIBLIOGRAFIA:
http://culinariaafrobrasileira.blogspot.com/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Culin%C3%A1ria_da_%C3%81frica
http://comezainas.clix.pt/receitas/subtipo_pop.asp?IDTip=9&IDSubTip=56
http://culinaria-africana.blogspot.com/
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/eventos/semana-debates-racismo/iii-semana/arquivos-radio-pgr/culinaria-africana-e-as-influencias-na-cozinha-brasileira
http://www.terrabrasileira.net/folclore/origens/africana/cozinhaa.html
www.consuladosenegalsp.org.br/baobad.htm
Sociedade e Cultura – Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo: Nova Cultural, 1995. Folclore Brasileiro / Nilza B. Megale- Petrópolis: Vozes, 1999. A Cozinha Brasileira - São Paulo: Circulo do Livro S.A. (Edição integral Revista Cláudia - Editora Abril Ltda).

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